A Chuva em Jaú e o Fluxo dos Rendimentos
Dizem que Jaú tem um pacto com as nuvens, e hoje elas resolveram cobrar a fatura. Estou aqui no escritório, mas meus olhos teimam em fugir para a janela. O céu está daquela cor de chumbo que não engana ninguém; é temporal dos bons, daqueles que transformam a rua em rio em questão de minutos.
Engraçado... aos 70 anos, eu me vi correndo pro quintal feito um moleque, encharcando a camisa só para jogar aquela lona velha — herança do meu pai, pesada e com cheiro de garagem antiga — em cima do carro. Voltei para dentro rindo sozinho, pingando no taco da sala, sentindo aquele choque térmico que só um café bem quente e o cheiro de terra molhada conseguem curar.
Essa pausa forçada, o barulho do zinco lá fora, me trouxe um estalo.
Lembrei das chuvas da minha juventude no Rio. Lá, a gente lidava com o mar subindo, com a ressaca que invadia o asfalto. Aqui em Jaú, onde finquei raízes há 20 anos, a chuva é outra: é o chão que bebe a água, é a terra que agradece. Mas a lição de "navegar" é a mesma. O segredo da maturidade — essa que a gente vai lapidando depois das sete décadas — é justamente saber quando não fazer nada.
No mercado, quando a Selic dá um solavanco ou a inflação resolve dar as caras como esse temporal, o instinto é querer "correr no quintal" para mexer em tudo. Dá um desespero de ver o rendimento oscilar, uma vontade de vender, trocar, agir. Mas o meu "barquinho" hoje é o meu patrimônio de renda fixa, e eu confio na correnteza.
Investimento conservador é como essa chuva que nutre o solo. Se você tenta represar a água no grito, acaba se afogando. Se você deixa o fluxo seguir — o Tesouro, o CDB, a LCI — o patrimônio cresce sem alarde. Não é o salto frenético das ações que me atrai hoje; é a constância. É o juro sobre juro, silencioso como a garoa que fica depois que o grosso da tempestade passa.
A chuva já está diminuindo. O céu deu uma clareada ali para os lados do centro. No fim das contas, a lição de Jaú (com um toque de malandragem carioca) é simples: cubra o que é importante, proteja o motor, mas não brigue com o tempo. O sol sempre volta, e quem teve paciência de não afundar o próprio barco, colhe a terra molhada e o bolso cheio.
#JurosCompostosEChuva #BarquinhosDePapel #SemPressaParaVencer
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