O Jogo das Frestas e o Olhar de Esguela
Levo a vida aqui como quem joga sinuca no fundo de um boteco. Aquela tacada do Carne Frita — giz no taco, batida seca — e a gente já sente, antes mesmo de a bola tocar na outra, que ela nasceu com o buraco marcado. Se João Antônio passasse hoje pela Major Prado, reconheceria a cena: uniforme de firma, manga curta, café requentado de balcão. Cada um repetindo a mesma peça. Malagueta, Peru e Bacanaço nas esquinas e nos balcões, cada qual certo de que seu jogo é invisível. Jaú tem a lógica de uma casa velha. O móvel novo só entra se couber exatamente no buraco que já existe na parede. Sobrou um milímetro? A cidade poda. O espírito dos antigos fazendeiros ainda governa: separar quem é "gente da gente" de quem é sobra. Família, por aqui, não é só afeto. É cerca. Cercar o gado para ninguém fugir com o dinheiro ou com o sobrenome. A fazenda virou cidade, mas o chicote virou invisível e as cercas, privilégios. As ruas são estreitas, feitas para não deixar o ar circular. Quem caminha ...