O Rio e a Rua

​Dizem que ninguém se banha no mesmo rio duas vezes. O rio corre, muda, leva embora. A água que toca o corpo agora já não é a de amanhã.


​Na cidade é a mesma coisa. O busão que passa agora não é o mesmo das seis da tarde. O bar da esquina nunca abriga a mesma conversa. O varejão muda de cheiro, de gente, de grito. Até o vizinho muda de humor.

​A gente tenta segurar: amizade, amor, trampo. Mas tudo escorre. O que ontem era certeza, hoje é lembrança. O que parecia eterno vira pó de asfalto.

​E não é derrota. É a regra do jogo. O mundo não trabalha para nós; o mundo é fluxo.

​O lance é aceitar: cada encontro é raridade. Cada abraço, relíquia. Cada presença, um luxo. O rio não para, e a rua muito menos.

​Maturidade talvez seja isso: saber que nada se repete e, ainda assim, meter os pés na água, entrar no busão e pedir mais uma no balcão. Porque o movimento é o que temos. E é nele que a vida acontece.

Fernando Tobgyal (imagem gerada por IA)

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