A Lição da Poupa


​Vidinha agora pinta pássaros, e eu descubro a Poupa. Que ironia do destino: eu, o arquiteto que remenda canos e sela buracos, encontro meu par numa ave que investiga a terra com o bico. A Poupa me ensina que não há vergonha em ser "caçadora de solo". Para sustentar a crista de Michelangelo que ela abre quando está alerta, é preciso saber onde furar a terra.
E hoje não foi só uma imagem. Foi um vídeo. Vi Vidinha pintando o pássaro com calma e dedicação. Cada pincelada parecia um pequeno ato de liberdade. Enquanto eu lido com massa corrida e cimento, ela dá vida a asas. O contraste não poderia ser mais perfeito.
​Minha casamata no Rio terá o espírito dessa ave. Será um lugar de defesa estratégica — se necessário, exalaremos o cheiro forte da distância para manter os invasores longe do nosso ateliê de alma. Não seremos "delicados" para o mundo; seremos adaptados, estratégicos e, acima de tudo, territoriais.
​Se o público confunde o topete, que confundam. Enquanto acham que somos apenas cristas coloridas, estaremos no chão, garantindo a fundação do nosso próximo voo ondulado. Vidinha pinta as asas; eu garanto que o bico encontre o caminho na dureza do concreto.

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