O Alinhamento do Silêncio e a Brasa na Laje
Neste domingo, o relógio não dita o ritmo; quem comanda é o estalar do carvão na laje. O "fazer fazendo" deu uma trégua para o "estar estando". Olho ao redor e vejo a nossa casa — chão firme, território conquistado — e sinto que a maior engenharia não é a de concreto, mas a da paz interior.
Lá embaixo, a casamata já exibe o seu primeiro grande selamento: o armário aramado está de pé. Para quem olha de fora, é metal e prateleiras; para o mestre de obras que aqui habita, é a estrutura da liberdade.
Ver as roupas encontrando seu lugar, organizadas em um esqueleto que eu mesmo ergui, é o avanço real. É a poda do excesso para dar lugar à clareza. Não é sobre ter mais; é sobre organizar o que se é.
O joelho esquerdo teima em lembrar da rampa e do esforço bruto dos últimos dias, mas o Cataflam e o repouso na cadeira dão conta do recado.
Aqui em cima, na laje, o vento do Rio faz o que nenhum remédio consegue: limpa a alma e reordena os pensamentos. Não há menção a contratos, cifras ou metais brilhantes.
O que brilha hoje é o sorriso da Helô — e a certeza de que alguém ao seu lado entende, sem precisar explicar, o que custou chegar até aqui.
Neste Dia das Mães, o churrasco é o nosso batismo. O fogo consome o que era dúvida e ilumina o que é certeza. A casa ainda está em ajustes, a infraestrutura pede o seu tempo de cura, mas o essencial já foi assentado.
E enquanto a carne chia na grelha, o Centauro descansa — não por cansaço, mas porque sabe que o guerreiro que não para para celebrar, luta sem saber por quê.
Fernando Tobgyal
(Imagem gerada por IA)
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